Recentemente li uma reportagem intitulada “A idade da pedra” na revista Rollings Stones do mês de julho, sobre o crescimento do consumo de crack nas principais cidades do estado da Paraíba. O repórter Mauricio Monteiro Filho acompanhou as ações do Gate – elite da policia militar paraibana -, na cidade de Campina Grande, na tentativa de conter o tráfico da droga que vem aumentando a cada ano naquele estado. Os números das apreensões feitas pela Policia Federal é a prova do aumento: em 2005 foram apreendidos 1,6 Kg, a quantidade saltou para 111,8Kg em 2008 e esse ano, entre os meses de janeiro e abril já foram apreendidos 153 Kg da droga. A reportagem é um exemplo de que o crack está se alastrando Brasil afora. Tempos atrás o foco do crack estava no centro de São Paulo, quando ruas as próximas a estação da luz ficaram conhecidas como cracolândia. Ano passado na tentativa de dar “novos ares” a esta região da cidade de São Paulo, a prefeitura convidou empresas a se instalarem nos antigos galpões fora de uso. Atualmente, apesar das ruas passarem por reformas, essa ação da prefeitura de tentar “limpar a área”, tem mostrado ineficaz, já que o número de usuários tem sido cada vez maior no centro de São Paulo.
Veja esse breve relato.
Às 22 horas, cerca de 50 pessoas se aglomeram em volta de uma fonte desativada na Praça Julio Mesquita. Aglomerações no centro de São Paulo acontece geralmente quando há acidentes de transito ou atropelamento de pedestres. Mais de perto observa-se que não se trata de acidente. As pessoas ali reunidas, aparentemente, moradores de rua, estariam, então recebendo alimentos ou agasalhos de alguma organização beneficente. Nem acidente, nem distribuição de alimento. O que faz aquelas pessoas se aglomerarem no meio da Praça Julio Mesquita é o crack.
A cena chocante é observada por Lucilene Rodrigues Paulino, 35, moradora de uma rua próxima, Barão de Limeira. Enquanto passeia com seu cachorro poodle na calçada da rua Conselheiro Nébias, a dona de casa, ver estarrecida que o comércio e consumo em larga escala é também contemplado por duas viaturas da ROTA, estacionados na avenida São João, além de uma da Policia Militar, parada na própria praça. Lucilene não consegue entender por que os policiais não fazem nada e relata que a cena é “bem pior” ainda a luz do dia, às 17 horas, quando número de usuários triplica. “A situação chega a ser constrangedora pra mim”, conta a moradora que teve que mentir para parentes que lhe visitaram recentemente, dizendo que aquelas pessoas reunidas estavam recebendo sopa de uma instituição de caridade. Enquanto Lucilene falava a viatura da Policia Militar, finalmente se deslocou para o aglomerado e os viciados rapidamente se espalharam. Mas os policias mal sairam da viatura, ficaram por pouco tempo próximo a fonte e voltaram a estacionar a carro no mesmo local em que estavam a menos 50 metros dali. Com a saída da viatura retorna o comercio e o consumo do crack no meio da praça.
A cena se repete em vários pontos da Avenida São João.
Na famosa esquina com a Ipiranga, a degradação se contrasta com o ambiente sofisticado do Bar Brahma, um dos mais famosos da capital, freqüentado pelo público da classe A e B. Ali os seguranças protegem os clientes do risco de serem assaltados pelos “nóias”. Um dos seguranças diz que os assaltos naquela região são freqüentes e cita o caso de um casal de turistas que saíram do bar para o hotel próximo, onde estavam hospedados, para buscar uma câmara fotográfica, “agente até ofereceu segurança mas eles disserem que não precisava”, conclusão, os turistas foram assaltados antes de chegarem ao hotel.
Mas porque a policia assiste tudo e não faz nada?
Quem responde é o sargento Carlos de uma base instalada na Praça da Republica. Segundo ele, viciados não podem ser presos porque consomem e não comercializam a droga: “não tem jeito, eles são moradores de rua, não podemos prendê-los”.
Quanto à quantidade de usuários na Praça Julio Mesquita, o sargento diz que, devido a ações da policia em outros locais os viciados tendem a se concentrar num só.
Esse fato ocorreu ontem à noite. Lucilene, a moradora próxima da Praça, diz que ele se repete todos os dias naquela fonte que algum dia embelezou a Praça Julio Mesquita.


















Embaraçosa e confusa



























